Programa informa sobre importância da preservação da fertilidade em pacientes com câncer PDF Imprimir E-mail
Escrito por Adelaine Cruz   
Sex, 01 de Junho de 2012 16:23

 

gravidesParceria entre Instituto do Radium de Campinas e CRHC orienta mulheres em tratamentos oncológicos sobre coleta de óvulos antes da quimioterapia

 

Apenas quatro em cada 100 mulheres com câncer em idade fértil se preocuparam com a capacidade de reprodução e procuraram preservá-la, segundo um estudo realizado com 1.941 mulheres nos Estados Unidos. O número baixo, que pode ser estendido também às pacientes brasileiras, reflete a desinformação sobre o assunto nos consultórios médicos. Por isso, o Instituto do Radium de Campinas acaba de implantar um programa de preservação da fertilidade feminina sob tratamentos oncológicos que tem como objetivo principal o esclarecimento sobre a importância da coleta dos óvulos no momento do diagnóstico da doença. O programa é uma parceria entre o Radium e o Centro de Reprodução Humana de Campinas (CRHC).
Segundo o oncologista e diretor técnico do Radium, André Deeke Sasse, a infertilidade é uma das principais sequelas da quimioterapia e pode se tornar um desconforto considerável para a paciente. “Embora as pacientes inférteis após tratamento contra o câncer possam adquirir a maternidade com a adoção ou doação de embriões e ovócitos (óvulo ainda não fecundado), muitas desejam ter filhos biológicos. Consequentemente, a criação de várias opções e técnicas para a preservação da fertilidade por especialistas estão aumentando, assim como as exigências de tais pacientes”, explica Sasse.
Os médicos do Radium estão capacitados para identificar as pacientes com potencial risco de perda de fertilidade e, por meio de discussão multidisciplinar com colegas do CRHC, podem indicar o melhor método de preservação de óvulos. “Estamos todos orientados sobre a importância da exposição às pacientes dos riscos de infertilidade após tratamento antineoplásico – quimioterapia. É importante que elas saibam que é possível preservar a fertilidade”, diz André Deeke Sasse.
No Brasil, uma estimativa para 2012 divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), órgão do Ministério da Saúde, aponta que surgirão neste ano 52.680 novos casos de câncer de mama e outros 17.540 de câncer do colo do útero, dois dos tumores mais frequentes nas mulheres.


A técnica
A criopreservação de embriões é a opção mais estabelecida para manter a fertilidade e é amplamente utilizada com taxas bem definidas de sucesso, ainda de acordo com o diretor do Instituto do Radium. O método se utiliza da fertilização in vitro e requer de 10 a 14 dias para o desenvolvimento folicular, o que exige, muitas vezes, um atraso no início da quimioterapia.
O programa é coordenado pelo médico Carlos Alberto Petta, que já desenvolve trabalho semelhante no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Segundo Petta, o procedimento existe há muitos anos, mas os resultados melhoraram com a técnica de vitrificação, em que há o congelamento ultrarrápido dos óvulos. “Os tratamentos de câncer muitas vezes levam as mulheres a entrarem na menopausa ou diminuem sua fertilidade. Guardar óvulos permite que essas mulheres tenham a chance de serem mães mesmo que isto aconteça”, afirma Petta, que é membro do corpo clínico do Radium, diretor do CRHC e professor de Ginecologia da Unicamp.
De acordo com o especialista, a paciente deve conhecer os riscos que o tratamento de câncer pode trazer para sua fertilidade e saber que existe a possibilidade de preservar os óvulos e até parte do ovário.


Estudo
O estudo feito nos EUA – onde mais de 120 mil mulheres abaixo de 50 anos são diagnosticadas com câncer todos os anos – foi desenvolvido pelo doutor Mitchell Rosen, da Universidade da Califórnia. Ele ouviu mulheres com idades entre 18 e 40 anos, diagnosticadas com câncer e selecionadas aleatoriamente. Do total, 918 delas foram submetidas a tratamentos que potencialmente prejudicam a fertilidade, como a quimioterapia, a radiação pélvica e o transplante de medula óssea.
Segundo o levantamento, 61% delas receberam informações de seus médicos sobre os possíveis efeitos colaterais dos tratamentos. No geral, apenas 4% das pacientes entrevistadas se preocuparam com a capacidade de reprodução e procuraram preservá-la.